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JORNAL DO SINTTEL-RIO Nº 1.130 - De 20 a 26 de AGOSTO de 2008
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O Brasil e as Olimpíadas

Se há alguma coisa fora da ordem, como diria Caetano Veloso, nesta Olimpíada de Pequim, é o fato de que os Estados Unidos foram superados pela China na liderança das medalhas de ouro e lutam a duras penas para continuar à frente no ranking geral de medalhas. De uma maneira geral, os resultados até aqui seguem o mesmo padrão de outras Olimpíadas: os países ricos e os ex e ainda socialistas à frente; e os demais se revezando num blocão abaixo da 12ª posição.
O Brasil quer ser um competidor de peso nas Olimpíadas, mas só se cria uma geração de atletas de altíssimo nível se houver uma política de governo para tal. É preciso estabelecer prioridades de longo prazo, destinar recursos e investir desde cedo na formação de atletas. Hoje, quando um garoto ou garota se destaca numa modalidade, se a família tem posses, investe nisso. Se não tem, o garoto corre atrás de patrocinadores, passa o chapéu, se vira. Muitos conseguem chegar lá. A maioria, não.
Mas responsabilizar apenas os governos, como fazem especialistas e comentaristas com freqüência, também não adianta - nos últimos cinco anos o governo Lula tem destinado recursos expressivos para os esportes e para bolsas de formação de atletas. Há, também, um fator emocional que pesa. Os grandes atletas, em geral, têm que sair cedo de casa para ser acompanhados em centros de formação. No Brasil, deixar a família ainda pequeno ou no início da adolescência é um trauma. Daniele Hipólito, por exemplo, quase encerra a carreira prematuramente porque se recusava a deixar a família no Rio e mudar para Curitiba onde há um centro de formação.
A China só conseguiu mostrar o desempenho atual porque investiu pesado. Além de bolsas, os atletas medalhas de ouro passaram os últimos anos praticamente confinados em treinamentos. Michael Phelps, além do talento natural, é outro que dedicou anos a fio à sua preparação. Assim como César Cielo e mesmo Diego Hipólito. Sim, porque em que pese todo o treinamento, os atletas são humanos e, como tal, falíveis.
O Brasil pode ser uma potência nos esportes. Para que isso aconteça, no entanto, é fundamental que os brasileiros queiram ser campeões. E campeão não se faz apenas com a vontade. É com trabalho duro e muito, muito sacrifício pessoal.

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