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O Brasil e as Olimpíadas
Se há alguma coisa fora da ordem, como diria Caetano Veloso,
nesta Olimpíada de Pequim, é o fato de que os Estados
Unidos foram superados pela China na liderança das medalhas de
ouro e lutam a duras penas para continuar à frente no ranking
geral de medalhas. De uma maneira geral, os resultados até aqui
seguem o mesmo padrão de outras Olimpíadas: os países
ricos e os ex e ainda socialistas à frente; e os demais se revezando
num blocão abaixo da 12ª posição.
O Brasil quer ser um competidor de peso nas Olimpíadas, mas só
se cria uma geração de atletas de altíssimo nível
se houver uma política de governo para tal. É preciso
estabelecer prioridades de longo prazo, destinar recursos e investir
desde cedo na formação de atletas. Hoje, quando um garoto
ou garota se destaca numa modalidade, se a família tem posses,
investe nisso. Se não tem, o garoto corre atrás de patrocinadores,
passa o chapéu, se vira. Muitos conseguem chegar lá. A
maioria, não.
Mas responsabilizar apenas os governos, como fazem especialistas e comentaristas
com freqüência, também não adianta - nos últimos
cinco anos o governo Lula tem destinado recursos expressivos para os
esportes e para bolsas de formação de atletas. Há,
também, um fator emocional que pesa. Os grandes atletas, em geral,
têm que sair cedo de casa para ser acompanhados em centros de
formação. No Brasil, deixar a família ainda pequeno
ou no início da adolescência é um trauma. Daniele
Hipólito, por exemplo, quase encerra a carreira prematuramente
porque se recusava a deixar a família no Rio e mudar para Curitiba
onde há um centro de formação.
A China só conseguiu mostrar o desempenho atual porque investiu
pesado. Além de bolsas, os atletas medalhas de ouro passaram
os últimos anos praticamente confinados em treinamentos. Michael
Phelps, além do talento natural, é outro que dedicou anos
a fio à sua preparação. Assim como César
Cielo e mesmo Diego Hipólito. Sim, porque em que pese todo o
treinamento, os atletas são humanos e, como tal, falíveis.
O Brasil pode ser uma potência nos esportes. Para que isso aconteça,
no entanto, é fundamental que os brasileiros queiram ser campeões.
E campeão não se faz apenas com a vontade. É com
trabalho duro e muito, muito sacrifício pessoal.
A DIRETORIA
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