O Sinttel/Rio tem sua origem
no Centro Operário dos Empregados da Light e Companhias Associadas, criado
em 1926. Em outubro de 1930, obedecendo às determinações do governo Getúlio
Vargas, o Centro foi desmembrado, dando origem ao Sindicato de Carris Urbanos
e outras entidades. Já em outubro daquele mesmo ano foi fundada a Associação
Profissional dos Trabalhadores em Empresas Telefônicas, tendo como presidente
da Junta Governativa encarregada de organizar a nova entidade, a telefonista
Ângela da Costa Leite, funcionária da Companhia Telefônica Brasileira (CTB).
Em 1º de agosto de 1941 o Departamento Nacional
do Trabalho concedeu a Carta Sindical, transformando a Associação em Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas Telefônicas do Rio de Janeiro. Mas na primeira
eleição, realizada em setembro daquele ano, a direção da CTB interveio diretamente,
saldando débitos de associados e viabilizando a eleição de José de Oldemar
Land, que derrotou Ângela da Costa Leite com uma diferença de 120 votos.
Entre as décadas de 40 e 60 a ação sindical foi totalmente
controlada pelo Departamento Nacional do Trabalho. As diretorias do Sindicato
eram eleitas com o apoio irrestrito da CTB, transformando a entidade numa
parceira da empresa e do Estado, dedicando-se a prestação de serviços assistenciais,
à troca de favores e ao encaminhamento de reivindicações pessoais dos trabalhadores.
Por outro lado, uma oposição a essas diretorias atuou
ativamente ao longo dessas décadas, tendo à frente ativistas como Ângela
da Costa Leite e Antonio Santana. A oposição chegou a organizar duas greves
por aumento geral de salários, uma em 1946 e outra em 1952, sendo que nesta
última 12 pessoas foram presas.
Primeiras greves
Na década de 60, o Sindicato passou a ser
mais atuante. Adquiriu a sede própria, na Rua Morais e Silva, e conquistou
uma vitória importante para a categoria com a jornada de seis horas diárias
para as telefonistas. Em 1964, em conjunto com o Sindicato de Carris, realizou
uma greve geral de 24 horas que provocou a interdição da sede da entidade
por três dias, depois do golpe militar. Durante a década de 70, vários fatores determinaram
a fusão do Sindicato dos Telefônicos e do Sindicato dos Telegráficos: a
extinção das empresas telegráficas estrangeiras e o conseqüente esvaziamento
do Sindicato dos Telegráficos; a proposta de associar os funcionários da
Embratel (fundada em 1965) e as telefonistas particulares; e a edição da
Portaria 3099, de 04 de abril de 1973, que criou a categoria profissional
dos trabalhadores em empresas de telecomunicações e operadores de mesas
telefônicas. Com a fusão, o Sindicato passou a se chamar Sindicato dos Trabalhadores
em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas do Estado
da Guanabara. Em 1975, essa denominação foi alterada para Sindicato dos
Trabalhadores em Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas do Município
do Rio de Janeiro (Sinttel/MRJ).
No final da década de 70 o movimento sindical inicia
um profundo processo de reorganização e redefinição de sua prática, preconizando
a autonomia dos trabalhadores na condução de sua organização e a democratização
do movimento.
Novo sindicalismo
Conhecido como "Novo Sindicalismo", o movimento
foi primordial na luta contra o autoritarismo e a opressão impostos pelo
Estado a toda a sociedade brasileira. O Novo Sindicalismo foi responsável
pela criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1984, que se consolidou
como a maior central sindical do país. No Sinttel/MRJ, o movimento se manifestou
em 1980, com a formação de um grupo de oposição à diretoria do Sindicato,
grupo este denominado "Força do Trabalhador Telefônico Sindicalista".
Em 1984, oito chapas disputaram a direção do Sindicato,
saindo vencedora a Chapa 6, encabeçada por Antonio Santana e contando com
vários fundadores da Força do Trabalhador Telefônico. Já no Sindicato dos
Trabalhadores Telefônicos do Estado do Rio, que reunia os companheiros do
interior do estado, o Novo Sindicalismo se manifestou nas eleições de 1983
e passou efetivamente a ser direção do entidade com a vitória da chapa encabeçada
por Onofre de Souza Pereira, em 1986.
Em 1985, descontentes com a postura conciliatória
da Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações, os sindicatos
do Município do Rio de Janeiro e dos estados de Minas Gerais, Rio Grande
do Sul, Bahia, Distrito Federal e Pernambuco criaram o Bloco Independente
que deu origem à Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações,
fundada oficialmente em 11 de março de 1986.
Luta pela redemocratização
Na década de 80, a categoria viveu o apogeu
de sua luta, participando ativamente de todas as manifestações em favor
da redemocratização do país. Ao mesmo tempo, no campo sindical, o Sinttel/Rio
conseguiu inúmeras conquistas trabalhistas como reembolso creche, anuênio,
a jornada de 36 horas semanais para os trabalhadores em Centros de Operações.
É a fase das grandes passeatas, das greves de longa duração, de total mobilização.
Nas eleições de 1981, a chapa da oposição ficou em segundo lugar, com 28%
do total de votos, sendo que na Embratel foi a primeira colocada. Em 1983,
fruto da pressão desse movimento, o Sindicato participou das manifestações
dos trabalhadores em estatais em defesa do patrimônio público.
do país
Os anos 90, com a chegada de Fernando Collor à presidência da República,
representam a década do ataque sistemático ao movimento sindical e à organização
dos trabalhadores. As privatizações, as demissões em massa, o corte nos
direitos trabalhistas resultantes da política econômica neoliberal implementada
pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, provocam um refluxo nas lutas
sindicais e levam o Sinttel/Rio à atual crise financeira mas não deixam
morrer a convicção de que, juntos e unidos, os trabalhadores serão capazes
de superar mais essa etapa.